quarta-feira, 22 de julho de 2009

Por que você escreve?...

A paixão pela leitura e pela escrita, começou muito cedo em minha vida...Recordo ainda de, aos oito anos, ter escrito o primeiro texto escolar, uma estória curta e débil, que marcou o surgimento de um novo universo. Meu pai, grande incentivador de minha vida, tinha o hábito de levar-me aos sábados na banca de revistas da longinqua Santa Maria, a fim de comprar-mos exemplares novos de tudo o que pudesse ser atrativo à leitura principiante que experimentava... Recordo de meu primeiro diário: inesquecível. Era cor-de-rosa, com um cadeado lateral dourado. Relatava ali meu cotidiano infantil, meus anceios de criança, minhas aventuras inocentes, as quais espero que meus filhos nunca imaginem ou repitam, mas eram inocentes...
Aquelas linhas mal escritas descreviam situações inusitadas, puras, que queria guardar para sempre, por isto, escrevia. Relia, periodicamente o que escrevia e viajava em minhas recordações. O diário cor-de-rosa, evoluiu... Tive muitos diários, nem sei ao certo quantos, aonde, expunha minha vida, tal e qual se apresentava. Relatei minha infância, minha adolescencia e minha vida adulta... Com o passar dos tempos, abandonei os diários, mas nunca o prazer pela escrita. Adequando este amor à vida moderna, comecei um blog.
Escrevo porque as palavras me seduzem, porque a escrita me tranquiliza, me faz acreditar que posso segurar os momentos através dela... Escrevo porque amo as palavras e porque quando me relaciono com elas, volto a ser criança...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Vida e nostalgia...

Cada vez que atuo no nascimento de mais uma criança, reflito sobre a vida... Momentos de extrema dor, desespero, descontrole...Um longo processo de superação e sofrimento. Muitas vezes, horas, em que o corpo parece que não resistirá, tremores, hipotensões, náuseas e, novamente, muita dor...Mais uma força, mais uma dor e...enfim...Parabéns, seu bebê é lindo...O mágico ccontamina o ambiente...Não há mais espaço para a dor, em seu lugar surge a maravilhosa alegria de ser mãe. A dor encontra sua recompensa, vislumbrar a face do esperado ser que carregava no ventre, felicidade...
Cada vez que atuo no nascimento de mais um ser, reflito sobre a vida... A vida também é assim...Lutamos, sofremos, buscamos com afinco o término de nossas dores e, derrepente, elas acabam... Como o nascimento após um longo trabalho de parto, somos contemplados com a obtenção de nossos objetivos e a paz reina...
Cada vez que atuo no nascimento de mais um ser, reflito sobre a vida, pensando o quanto é importante darmos o devido valor ao que conquistamos, aos períodos de paz, por que a vida é efêmera,oscilação entre momentos de luta e momentos de tranquilidade, até uma nova gestação se iniciar...

sábado, 6 de junho de 2009

Onde está a Empatia??

Empatia, do grego ἐμπάθεια (empatheia), é a capacidade de reconhecer ou entender o estado de espírito ou emoção de outro. É a tendência de se colocar no lugar do outro. A empatia é, segundo Hoffman (1981), a resposta afetiva vicária a outras pessoas, ou seja, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação. O termo foi usado pela primeira vez no início do século XX, pelo filósofo alemão Theodor Lipps (1851-1914), "para indicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte."
Desconsiderando definições formais, pode-se resumir a empatia como "estar no lugar de". Estar no lugar do paciente, ao vislumbrá-lo limitado e dependente no leito hospitalar, estar no lugar da criança no semáforo, que vem oferecer balas, estar no lugar do que sofre, do que é excluído. A real importancia disto tudo, é que somente quando conseguimos nos projetar no lugar do outro, mesmo que dentro de nós mesmos, com nossas crenças e conceitos, podemos entender o que ele vive realmente.
O mundo moderno, caminha cada vez mais rápido rumo ao individualismo, é a máxima do "pirão é pouco, o meu primeiro" tomando conta das condutas humanas, com facilidade. verifica-se que as pessoas estão tornando-se frias, distantes. Onde estão os verdadeiros sentimentos? Onde está a Empatia? Seres humanos que pouca consideração manifestam pelo sofrimento alheio, quanto menos estar "no lugar do próximo". Será que a verdadeira causa disto é o instinto de superioridade que as pessoas desenvolvem? Se estou tão acima, como posso me colocar no lugar? Evoluímos em vários aspectos: estudamos cada vez mais, nos formamos, graduados e pós-graduados descobrimos que estamos perdendo a essência, estamos esquecendo tudo que realmente é importante dentro de nós, tudo o que pode fazer diferença em nossas vidas, tudo o que simboliza a verdadeira felicidade.
...por isto, naquela tarde tão triste, de céu azul e sol brilhando, ao sentir-me tão só, sentei nas pedras, olhei o mar e chorei, questionando a mim mesma onde está a Empatia?...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

As ruas de Itajaí...

As ruas de Itajaí nunca mais serão as mesmas, não aos meus olhos... Caminho pela cidade que tanto amei e tenho vontade de esquecer estes caminhos... Cada rua traz uma lembrança, do trabalho realizado, do compromisso social despedaçado, das pessoas que não tem ética(principalmente visando interesses pessoais), dos projetos que nunca se cumprirão... É triste... Praticamente 40 dias que tomou posse o novo governo municipal e não consigo superar esta dor... Como profissional efetiva da secretaria de saúde deste município, tenho encontrado pouca motivação para continuar. Tenho dúvidas se vale à pena... Acredito realmente que é tempo de percorrer outros caminhos, outras ruas... Não acho que as pessoas, de um lado ou outro, são o problema... é, se alguém me entende, uma questão ideológica... Por que somos tão idealistas? Por que temos que dedicar tanta energia as causas que acreditamos? Talvez por isso, nosso trabalho valha à pena, por que defendemos o que queremos, criticamos o que não queremos, buscamos a construção de algo melhor, para meus filhos e seus...
O tempo é sempre um grande aliado nas circunstâncias dolorosas, modificando situações que diríamos serem irreversíveis. A certeza do dever cumprido nos acompanha sempre, em qualquer caminho que estejamos e é ela que nos enche de força, para recomeçar, sempre...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?-
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."
Alice no País das Maravilhas

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Recomeçar...

Todo o princípio de ano, somos envolvidos por uma mágica sensação de recomeço. É como se virássemos uma página, escrevendo um novo texto... É bom recomeçar... Aprecio as mudanças, poder sentir o gosto do que nunca vivenciamos...
Acredito que a vida é um constante recomeçar...Quero mudar muitas coisas neste ano, quero mais tempo com meus filhos, quero retomar velhas paixões na vida profissional, mudar de casa, me dedicar mais ao que realmente importa na vida, amar mais, me estressar menos, chorar menos, errar menos, compreender que as pessoas são como são, independente do que eu puder pensar sobre isto e, muitas vezes, são felizes assim...
É muito bom termos a possibilidade do recomeço... É virar a página e sempre poder escrever uma história diferente e mais feliz...

sábado, 13 de dezembro de 2008

A dor da destruição...





Em meados de novembro, em uma de minhas últimas postagens, me recordo de ter refletido sobre a efemeridade das coisas, sobre a transitoriedade. Posso afirmat que experimentei o pleno significado da inconstância nos últimos dias do mês de novembro.
22 de novembro de 2008, saímos, eu e meu esposo, para viajar em direção ao sul do Brasil, aonde prestaria provas em um concurso público e visitaria a Serra gaúcha. Era espantoso o volume de água que se observava pelo caminho. Em nossa cidade chovia a mais de 02 meses e o estado de SC estava todo "encharcado"... Fiquei perplexa com tanto volume de água, desde itajaí até próximo de Canela, no Rio Grande do Sul. Achei que quando retornasse, iria relatar- em primeira mão- a eminência de uma inundação no estado de SC.
Após viver momentos maravilhosos em Gramado, de imensa felicidade e realizar as provas em São Leopoldo, rumávamos felizes para "casa", sem saber que a "casa", já não era mais como antes...
Ah, a efemeridade das coisas...
Menos de 48h após termos saído de Itajaí, já não era mais possível retornar para lá... Começaram as infindáveis tentativas de atravessar um estado que desmoronava... Foram 03 dias para conseguir voltar à Itajaí, em detrimento da situação de caos que o Estado de SC vivenciou...
Não preciso descrever a tragédia da enchente, que todo o mundo acompanhou em cadeia nacional nos últimos dias, mas continuo refletindo sobre a inconstância... Vivenciei os melhores e os piores momentos de minha vida com menos de 48h de intervalo...
Tenho expressado uma preocupação bastante efetiva sobre o que realmente é importante na vida, sobre as coisas que fazem a diferença, porque vejo que, muitas vezes, gastamos horas, dias, anos, envolvidos com situações que não representam nada...
Muitas vidas foram perdidas na enchente de SC, muitas pessoas perderam tudo o que possuiam, mas, cada vez mais, tenho buscado refletir sobre o principal, àquilo que às àguas não abalam e que muitas vezes, só damos valor, ao perder...